Os principais índices de Wall Street fecharam em forte alta nesta quinta-feira (30). O Dow Jones subiu 1,62%, a 49.652 pontos; o Nasdaq avançou 0,89%, a 24.892 pontos, após tocar 24.935; e o S&P 500 ganhou 1,02%, a 7.209 pontos, chegando a 7.219 na máxima do dia. No mês, os ganhos foram da ordem de 7% (Dow), 15% (Nasdaq) e 10% (S&P), com os dois últimos registrando seu melhor desempenho mensal em anos.

O cenário combinou balanços robustos de grandes empresas de tecnologia com dados macro que reacendem debate sobre inflação e política monetária. O Federal Reserve manteve a faixa de juros entre 3,5% e 3,75%, e o índice de preços PCE mostrou alta de 0,7% em março (3,5% em 12 meses), reforçando a sinalização de que a autoridade pode sustentar a taxa por mais tempo do que parcelas do mercado esperavam.

Nos resultados, Alphabet superou estimativas e viu o lucro quase dobrar, impulsionando suas ações cerca de 10%. Amazon entregou lucro e receita acima do previsto, mas reportou danos a operações de nuvem no Oriente Médio; as ações subiram 0,8%. Meta registrou lucro e receita maiores, mas a projeção de despesas derrubou o papel quase 9%. Microsoft cresceu 20% no lucro do trimestre, mas teve recuo do fluxo de caixa livre e cedeu perto de 4%. Esses números sustentaram o rali, ao mesmo tempo em que destacam pressões de custo e investimento.

A tensão no mercado de energia acrescentou fragilidade ao quadro. O Brent chegou a US$ 126 o barril no dia — máxima em quatro anos — antes de recuar; contratos para junho fecharam a US$ 114,08 (-3,34%), e o WTI a US$ 105,07 (-1,69%). Preços da gasolina nos EUA subiram a US$ 4,30 por galão. O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e movimentos políticos reportados na região elevam o risco de escassez física, um fator capaz de pressionar inflação e complicar decisões de política econômica global.