Os principais índices de Wall Street operaram em alta nesta quinta-feira (16), sustentados por um alívio temporário no risco geopolítico. Por volta das 12h10 (horário de Brasília) o Dow Jones subia 0,07% a 48.499 pontos, o Nasdaq avançava 0,23%, alcançando 24.070 pontos, e o S&P 500 tinha alta de 0,20% para 7.036 pontos. Na véspera, S&P e Nasdaq já haviam fechado em máximas históricas, numa recuperação das perdas ligadas ao conflito envolvendo EUA, Israel e Irã.

Os preços do petróleo continuaram em elevação, mas mantiveram-se abaixo da marca de US$100 por barril: o Brent de junho subiu cerca de 2,7% para aproximadamente US$97,50, e o WTI de maio avançou 1,75% a US$92,90. A pressão sobre os preços está ligada a ameaças das Forças Armadas do Irã de interromper a navegação no Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Mar do Omã caso os EUA mantenham bloqueios a portos iranianos — um risco que pode encarecer custos logísticos e ofertar prêmio de risco para o petróleo.

No front diplomático, a Presidência libanesa informou que o presidente Joseph Aoun falou por telefone com o presidente dos EUA, Donald Trump, após se negar a dialogar com o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu. Ao mesmo tempo, a Casa Branca manifestou otimismo sobre a possibilidade de acordo com Teerã, citando a chance de uma segunda rodada de negociações possivelmente no Paquistão — sinais que ajudam a conter, por ora, o pânico nos mercados.

Entre resultados corporativos, a PepsiCo subiu mais de 1,6% depois de superar estimativas de lucro trimestral, e a Netflix avançou 0,6% antes de divulgar seus números após o fechamento. A maioria dos bancos que reportou resultados nesta semana também superou expectativas, apoiando o sentimento de risco e contribuindo para fluxos a ações de grande capitalização.

Um fator de incerteza estrutural persiste: a transição na liderança do Federal Reserve tem mostrado mais atritos do que o mercado esperava. A nomeação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell enfrenta resistência, e declarações públicas de Trump sobre a eventual demissão de Powell do Conselho caso ele não saia ao fim do mandato do chair aumentam o ruído institucional. Em conjunto, o quadro geopolítico e a instabilidade política-executiva elevam o potencial de volatilidade e podem reacender pressões sobre inflação e custos de energia, obrigando investidores a pesar lucros corporativos contra riscos macro e políticos.