A corretora Warren projeta que, se o preço médio do Brent ficar em US$ 100 o barril entre maio e dezembro de 2026, o fluxo cambial comercial do Brasil aumentaria em US$ 11,279 bilhões em relação a 2025. A simulação parte do saldo de 2025 para o grupo 'Óleos Brutos de Petróleo', que registrou US$ 38,01 bilhões, e compara cenários de preços mantendo constantes as quantidades exportadas e importadas.

A metodologia usada toma US$ 70 por barril como referência — nível pré-conflito — e calcula o efeito da diferença de preço sobre o quantum médio de 2025. Outros cenários apontam para acréscimos de US$ 3,760 bi com Brent a US$ 80, US$ 7,519 bi a US$ 90, e saltos maiores em patamares superiores (US$ 15,039 bi a US$ 110; US$ 18,799 bi a US$ 120). Todos os efeitos são líquidos entre exportações e importações.

Do ponto de vista econômico, o ganho imediato melhoraria o saldo comercial e poderia aliviar pressões sobre reservas e sobre a conta corrente. Politicamente, porém, trata-se de receita volátil: o governo que passar a contar com esse espaço fiscal pode enfrentar risco de frustração caso o preço recue, além do impacto inflacionário por combustíveis e do efeito de apreciação do real sobre outros setores exportadores.

A conclusão prática é que um choque de preços oferece margem temporária, não solução estrutural. Para evitar fragilizar finanças públicas e competitividade, a prioridade deveria ser usar ganhos pontuais para reduzir dívida, aumentar reservas ou financiar investimentos com retorno, em vez de ampliar gastos correntes que elevuem a exposição do país a reversões do mercado.