A documentação patrimonial apresentada pelo indicado de Donald Trump para chefiar o Federal Reserve revela mais de US$ 100 milhões em ativos e promete colocar Kevin Warsh entre os líderes mais ricos da história do banco central, caso seja confirmado. O relatório de 69 páginas lista investimentos de grande porte — inclusive duas posições de mais de US$ 50 milhões no Juggernaut Fund LP — e US$ 10,2 milhões pagos ao escritório de investimentos de Stanley Druckenmiller.

Além dos números, o arquivo chama atenção pelas lacunas: vários ativos não tiveram valores divulgados por acordos de confidencialidade, e participações em setores sensíveis, como inteligência artificial e produtos ligados a criptomoedas, aparecem sem detalhamento. Warsh se comprometeu a alienar ativos específicos, como as posições no Juggernaut Fund e participações na THSDFS LLC, para se adequar às restrições éticas do Fed.

As regras de ética do banco central, reforçadas em 2022, impõem limites rígidos a investimentos de dirigentes e familiares — incluindo vedação a ações de bancos e ativos relacionados a criptomoedas — e regulam compra e venda de papéis. A própria análise do escritório de ética assinala que, uma vez cumpridos os desinvestimentos, Warsh estaria em conformidade, mas a falta de transparência inicial tende a ser explorada por senadores na audiência de confirmação marcada para 21 de abril.

Politicamente, a divulgação expõe dilemas: além de perguntas sobre conflito de interesses, há risco reputacional para o Fed caso a percepção seja de vínculos muito estreitos com gestoras de Wall Street. Com o mandato de Jerome Powell terminando em 15 de maio, a expectativa é de que a comissão do Senado use o escrutínio público para pressionar garantias concretas de independência e a execução rápida dos desinvestimentos prometidos.