Na sabatina desta terça, o indicado de Donald Trump para presidir o Federal Reserve evitou fixar um caminho claro para as taxas de juros, declarando-se cético quanto à orientação futura do banco. Warsh lembrou que a política monetária opera com defasagens e afirmou que o Fed terá de trabalhar intensamente nas próximas reuniões — sinal que deixa investidores em compasso de espera.
O economista defendeu publicamente o presidente ao dizer que chefes de Estado geralmente desejam cortes de juros e que Trump apenas externaliza esse anseio. Warsh minimizou críticas pessoais a Jerome Powell, mas acentuou diferenças em torno da taxa, e admitiu preferência por reuniões do FOMC mais frequentes e “bagunçadas”, o que indica maior espaço para dissenso interno sobre o ritmo de aperto.
Na avaliação macro, Warsh afirmou que a oferta da economia está mudando de forma drástica e discordou de explicações que atribuem a inflação a tarifas. Ele ressaltou problemas nas métricas disponíveis, disse privilegiar a inflação subjacente e alertou para o pouco tempo disponível para reduzir preços — pontos que reforçam a necessidade de um projeto robusto de dados no Fed.
O indicado propôs reformas institucionais: novo quadro para a inflação, revisão de modelos diante da inteligência artificial e utilização distinta das ferramentas atuais. Citou também intenção de reduzir o balanço do Fed como mecanismo para taxas e inflação menores. O tom da sabatina, que incluiu confronto com a senadora Elizabeth Warren sobre investimentos pessoais, amplia dúvidas sobre independência e sobre o que uma eventual gestão Warsh significará para mercados e política monetária.