A XP revisou para baixo sua previsão para a taxa básica de juros ao fim do ano, agora projetada em 13,25% (ante 14% até então), justificando que a economia mostra perda de ritmo e que a desinflação ocorre mais cedo do que a casa esperava. Com isso, a instituição parte do pressuposto de continuidade do ciclo de cortes do Copom, em ritmo de 0,25 ponto por reunião.

No curto prazo, a XP estima cortes de 0,25 ponto nas próximas três reuniões do ano — o que difere de projeções de parte do mercado, que já incorpora redução no próximo encontro mas prevê pausa em novembro e dezembro. A casa ressalta, porém, que sua atualização corresponde a uma convergência mais rápida a um patamar menor, sem alterar a visão de médio prazo sobre a taxa.

O ajuste foi impulsionado pelo IPCA-15 de agosto, que registrou queda de 0,40% — a primeira desinflação do ano e abaixo das expectativas — e por sinais de desaceleração da atividade: o IBC-Br apontou recuo em junho (-0,6% ante maio) e crescimento modesto de 0,2% no segundo trimestre. A energia elétrica, influenciada pelo bônus de Itaipu, foi destaque no alívio do índice de preços.

O movimento reduz a pressão imediata sobre o Banco Central para manter juros elevados, mas expõe um dilema: cortes mais rápidos aliviam custos para famílias e empresas, mas ocorrem num cenário de crescimento fraco que pode comprim ir receitas fiscais e limitar espaço para políticas de estímulo. Para o governo, a combinação de desinflação e atividade morna exige calibragem entre agenda de contenção de custos e necessidade de aquecer a economia.