A XP Inc registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, avanço de 7% na comparação anual, mas queda de 1% ante o trimestre anterior e abaixo do consenso compilado pela LSEG, que apontava cerca de R$ 1,4 bilhão. A receita bruta somou R$ 4,9 bilhões, alta de 8% ano a ano, mas retração de 7% na comparação trimestral.
Entre os pontos operacionais, a receita de varejo ficou em quase R$ 3,8 bilhões (+10% anual, -2% contra o 4º tri de 2025). Renda variável teve desempenho forte (+22% ano a ano), enquanto renda fixa mostrou queda expressiva (-25% ano a ano). O take rate anualizado de varejo recuou para 1,18%, de 1,25% um ano antes, refletindo menor rentabilidade unitária sobre ativos sob custódia.
A captação líquida caiu 39% ante o ano anterior, para R$ 14 bilhões, e recuou 55% frente ao trimestre anterior, ainda que a captação de varejo tenha permanecido em torno de R$ 19 bilhões. Ativos de clientes chegaram a R$ 1,5 trilhão, com base ativa de 4,8 milhões de clientes. Despesas administrativas subiram 14% em 12 meses, e margens e retornos sobre patrimônio apresentaram leve deterioração frente ao ano anterior.
No plano corporativo, o conselho aprovou dividendos de cerca de R$ 500 milhões e um programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão. O grupo também anunciou a saída de Victor Mansur em 31 de maio e a contratação de Gustavo Alejo (ex‑Santander Brasil) como novo diretor financeiro a partir de 3 de agosto, com Thiago Maffra assumindo o interinato. O pacote busca conciliar retorno aos acionistas com sinalização de disciplina, mas os números aquém das previsões e a queda nas captações dão um sinal de alerta: converter escala em rentabilidade sustentável exigirá execução mais rigorosa e foco em eficiência.