O CEO do YouTube, Neal Mohan, afirmou que a plataforma não pretende aderir ao acordo multiestatal fechado pela Meta, no valor de US$ 18 bilhões, e rejeitou a ideia de aceitar obrigações semelhantes às que transformariam rivais em co-responsáveis por indenizações bilionárias. A posição foi anunciada durante o evento Made on YouTube, onde a empresa também detalhou novas ferramentas para criadores e recursos de inteligência artificial.

Mohan defendeu que o YouTube já aplica desde cedo mecanismos focados na proteção de usuários jovens — citou controles parentais para o formato curto Shorts e o trabalho com especialistas externos — e reforçou a tese de que a plataforma tem modelo distinto, com audiência relevante em televisores e consumo passivo que, segundo ele, a diferencia das redes sociais da Meta. A declaração contrasta com a estratégia da Meta, que usou o acordo para pressionar concorrentes a adotar limites de tempo, ocultar contagens de curtidas e submeter práticas a auditoria independente.

Do ponto de vista econômico e institucional, o acordo da Meta cria um novo parâmetro de risco para as grandes plataformas: além do potencial desembolso direto — a Meta condicionou parte do pagamento à adesão do TikTok e do YouTube, estimada em cerca de US$ 6 bilhões cada — há custos de conformidade e mudanças no produto que podem afetar engajamento e receita publicitária. Estados e procuradores, liderados pela Califórnia, já avisaram que estão dispostos a levar empresas rivais aos tribunais caso não aceitem medidas análogas, o que amplia a incerteza regulatória do setor.

A tensão ocorre em meio a processos em curso: em março, Meta e YouTube foram considerados culpados em um julgamento separado por suposta contribuição ao vício de uma jovem, decisão que as empresas planejam recorrer. Enquanto isso, centenas de ações individuais e coletivas seguem ativas, e acordos pontuais com adolescentes já foram feitos por algumas plataformas. O resultado prático é uma agenda dupla para as empresas: defender-se juridicamente sem, ao mesmo tempo, adotar mudanças que possam comprometer o modelo de negócios e os resultados financeiros.