Uma longa fila tomou as ruas do centro histórico de Paraty até o Sesc Caborê na tarde de sábado para a mesa com Angela Davis, que virou um dos destaques imediatos da 24ª Flip. A organização ampliou o espaço, trocando a Casa Sesc pela tenda externa, e 700 ingressos distribuídos online se esgotaram em minutos — retrato da expectativa em torno da filósofa e ativista.
O início do encontro foi adiado em cerca de 25 minutos e, quando começou, foi prejudicado por problemas técnicos. O sistema de tradução simultânea apresentou vazamentos e falhas; no fim, a intérprete subiu ao palco para fazer as traduções de maneira direta. O telão ao lado do palco e as transmissões ao vivo, tanto na Casa Sesc como no canal do Sesc, registraram imagens estouradas e interrupções, com reposicionamento frequente das câmeras.
No conteúdo, a conversa conduzida por Flávia Oliveira percorreu referências a intelectuais negros brasileiros, a crítica ao capitalismo e a questões socioterritoriais. Davis lamentou a ausência do Nobel Wole Soyinka, que teve de cancelar por motivos pessoais, e afirmou sua admiração pelo Brasil e pela presença dos ancestrais no lugar. Em tom irônico, pautou críticas a figuras do alto poder econômico e político sem nominar diretamente.
Apesar dos contratempos técnicos, a sessão foi marcada por aplausos constantes e terminou com procura por autógrafos. A situação expôs, por um lado, a força do apelo cultural do encontro e, por outro, os limites logísticos de eventos de grande demanda — um lembrete sobre a necessidade de melhor coordenação entre programação, transmissão e atendimento ao público.