José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, disse em resposta a seguidores no Instagram que a demissão mais difícil que lhe coube foi a de Dercy Gonçalves. O ex-vice-presidente de operações da Globo definiu o momento como “extremamente doloroso” ao recordar a amizade e a admiração pela atriz e humorista.
Segundo Boni, o programa ao vivo de Dercy passou a sofrer intervenções da censura durante a Ditadura Militar, o que obrigou a emissora a gravar as edições. As edições eram então cortadas: era comum gravar horas e perder grande parte do material. Com as reduções sucessivas, o programa deixou de ter conteúdo suficiente e passou a perder patrocínios.
A consequência prática, afirma Boni, foi financeira: sem audiência e sem anunciantes, a Globo achou insustentável manter o programa. Ele conta que, com pesar, teve de comunicar a decisão a Dercy — e que, quando as circunstâncias permitiram, a convidou a retornar à casa. Dercy comandou, entre outros, Dercy de Verdade (1966–1969) e Dercy Espetacular (1966).
A lembrança de Boni reúne duas frentes de interesse para o público: a trajetória de uma figura central do humor brasileiro e o impacto concreto da censura na grade e nas contas das emissoras. É um relato de bastidor que ajuda a compreender como decisões editoriais e pressões externas moldaram a televisão da época.