O caso Malévola tem repercutido nas redes desde a detenção da influenciadora Malévola Alves, na terça-feira (20), em Alexandria, acompanhada de uma amiga. Autoridades do Egito dizem que a investigação começou após vídeos em que as brasileiras teriam feito gestos de conotação sexual e assediado pessoas em locais públicos. Importante frisar: as declarações das autoridades configuram alegações e não equivalem a sentença judicial.
Em entrevista ao portal LeoDias, a advogada Alice Albuquerque, especialista em direito internacional, explicou que a legislação egípcia prevê punições contra condutas consideradas ofensivas à moralidade pública. Entre os enquadramentos possíveis estão atos obscenos, comportamento indecente em público e divulgação de conteúdo que viole valores familiares — infrações que, dependendo do dispositivo aplicado, podem resultar em multas ou prisão. Em situações específicas, atos indecentes em público podem acarretar pena de até três anos.
O caso também chamou atenção para a situação de pessoas trans. Segundo a advogada, a legislação não criminaliza explicitamente ser transgênero, mas dispositivos de interpretação ampla podem ser usados contra pessoas LGBTQIA+ por meio de acusações como devassidão habitual, prostituição ou ofensa à moral pública. Malévola relatou atendimento e revista diferenciados após policiais identificarem sua identidade de gênero e afirmou ter sido obrigada a ficar nua durante a detenção; são relatos da própria influenciadora e ainda não há confirmação independente dessas alegações. Albuquerque ressalta que revistas destinadas apenas a checar identidade de gênero carecem de justificativa legítima.
A influenciadora deixou a prisão na quarta-feira (21) após atuação conjunta de advogados no Brasil e no Egito e acompanhamento da Embaixada do Brasil no Cairo, segundo a defesa e o Itamaraty. A soltura não significa necessariamente o fim da investigação ou de eventuais procedimentos judiciais; a equipe informa que Malévola está retornando ao Brasil. O episódio repercute como alerta sobre a importância da assistência consular e jurídica para brasileiros no exterior e sobre as diferenças legislativas que influenciadores precisam considerar ao viajar.