Dragões, documentário de Miguel Antunes Ramos, propõe um recorte sobre a construção pública de Jair Bolsonaro: como imagens e redes sociais foram usadas para projetar um personagem que conectou com parcelas expressivas do eleitorado. O filme estreou no Festival do Rio 2026 e chega agora à 50ª Mostra de São Paulo.
Dividido em três atos — O Cinema do Mito, O Cinema do Presidente e O Cinema dos Novos Dragões — o longa registra a passagem de Bolsonaro do legislativo fluminense para o palco nacional. Ramos mostra não só a produção das imagens, mas a eficiência delas para formatar narrativas e manter interlocução com apoiadores.
A ideia do filme nasceu há cerca de dez anos e ganhou corpo a partir de 2018, com acompanhamento sistemático das redes sociais do então candidato e, depois, presidente. O diretor reuniu vídeos, analisou padrão estético e de mensagem e buscou entender por que aquelas peças visuais funcionavam — não como acidente, mas como estratégia deliberada de comunicação.
A primeira exibição pública ocorreu em 4 de outubro, dia do primeiro turno, o que deu ao filme um peso adicional: mais do que retrospetiva, Dragões vira leitura do presente e convite a discutir o papel da imagem na política contemporânea. Para quem se interessa por cinema e cultura digital, é uma peça que repercute e provoca debate.