A pergunta sobre quem é a pessoa mais conhecida do país teve resposta unânime de três poderosas IAs: Virginia Fonseca. É um sinal simbólico do que já se observa nas ruas e nas timelines: as redes sociais, guiadas por algoritmos, passaram a concentrar a curiosidade pública — quem ela namora, o que come, quanto fatura e o que veste virou conteúdo de consumo diário. O alcance de Virginia, com mais de 100 milhões de seguidores no Instagram e TikTok, explica por que seu nome domina buscas e conversas.

A mudança não aconteceu do dia para a noite. Durante décadas as novelas e seus protagonistas foram a principal fábrica de celebridades no Brasil. O reality show Big Brother Brasil quebrou esse monopólio ao transformar anônimos em ídolos instantâneos. Na última década, contudo, criadores de conteúdo que nasceram e se consolidaram nas plataformas — nomes como Whindersson Nunes, ViihTube, Felipe Neto, Rafa Kalimann, Carlinhos Maia, Gkay e Bianca ‘Boca Rosa’ — ampliaram ainda mais esse patamar de influência.

As emissoras tradicionais se adaptam: a própria Virginia foi convidada primeiro para apresentar no SBT e agora tem quadro no Domingão com Huck. A lógica é clara: o público jovem não está mais preso ao controle remoto e as TVs buscam colar sua audiência ao vivo a perfis que já registram grande engajamento online. Ainda assim, a transposição nem sempre é natural — muitos influenciadores perdem a autenticidade ao migrar para o estúdio e acabam alvo de críticas que não teriam nas redes.

O resultado é uma nova hierarquia da fama, em que a tela do celular decide quem é relevante. Para o mercado, a consequência é dupla: as marcas e as grades passam a seguir o protagonismo digital; para as emissoras, a tarefa é entender como converter alcance em responsabilidade editorial e em audiência sustentável. A pergunta deixou de ser quem será a próxima estrela da TV e virou: qual influenciador será grande o suficiente para a TV correr atrás?