A demissão da Globo, após duas décadas, não arrefeceu o ritmo de Joanna de Assis. Em conversa longa, a jornalista de 45 anos transmite disposição para acelerar novos projetos e retomar a rotina profissional. O recado público que fez após a saída — um post patrocinado — teve menos a ver com negócios e mais com uma declaração de presença: mostrar que continua ativa e dona do próprio currículo.

O episódio da demissão ocorreu no meio de uma investigação jornalística e permitiu um único dia de choro. Em casa, precisou explicar à filha que tudo ficaria bem, transformando o momento em aula sobre resiliência. Foi esse equilíbrio entre emoção e pragmatismo que guiou a escolha de comunicar a saída de forma controlada e estratégica, sem se restringir a uma nota de agradecimento tradicional.

A trajetória de Joanna mistura ousadia e aprendizado prático. Entrou no jornalismo esportivo na Cásper Líbero e foi conquistando espaço com iniciativas próprias — do primeiro estágio até os primeiros trabalhos em vídeo no começo dos anos 2000. Passou pelo Terra, integrou o globoesporte.com e fez carreira no Sportv como repórter, apresentadora e correspondente. Episódios marcantes, como o reconhecimento de colegas em programas de grande audiência e o furo sobre Neymar no Barcelona, ajudaram a construir sua credibilidade.

Premiada em 2015 pelo Aceesp e novamente reconhecida por investigações importantes, Joanna diz que não pretende ficar parada. A entrevista revela uma profissional que aproveita a saída de um grande veículo para reorganizar planos, colocar projetos em prática e seguir atuando no espaço que domina: a apuração esportiva com atenção a pautas que extrapolam o campo e dialogam com o público.