Nos meses que antecederam o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia colocou música, símbolos e futebol no centro de sua estratégia para tentar virar o jogo. A contratação de João Gomes como rosto das campanhas e o retorno do mascote Baianinho faziam parte de um esforço claro: ampliar apelo popular e reconectar a marca com públicos mais jovens.
Anunciado em maio, João Gomes virou peça recorrente nas ações da rede, inclusive em datas-chave do varejo — como a campanha de Dia dos Pais, já em agosto. Paralelamente, a empresa reforçou a promoção do tradicional carnê, buscando traduzir afinidade cultural em impulso às vendas e fortalecer também seus canais digitais.
A ofensiva teve forte componente esportivo: a varejista acelerou investimentos em propriedades do futebol, comprando naming rights do Campeonato Paulista e da Copa do Nordeste e usando o desempenho da seleção brasileira como argumento promocional durante a Copa do Mundo. A aposta faz sentido num negócio que conta com picos de demanda por eletrônicos em grandes eventos futebolísticos.
Ainda assim, a estratégia de comunicação não foi suficiente. Em agosto a companhia protocolou o pedido de recuperação judicial, apontando custos financeiros elevados e consumo pressionado, e informou um prejuízo próximo de R$ 10 bilhões no trimestre. A decisão incluiu o fechamento de 298 lojas e um redesenho operacional — prova de que campanhas e patrocínios podem reforçar imagem, mas não substituem medidas profundas de reestruturação.