Justin Bieber subiu ao palco principal do Coachella no sábado, atraindo uma das maiores multidões já registradas no festival. O cantor, que negociou pessoalmente seu contrato e não lança turnê pelos EUA desde 2022, vinha de apresentações intimistas em Los Angeles focadas em material recente, o que aumentou as expectativas sobre o que faria no deserto.
O set, porém, seguiu por caminhos mais contidos: um palco amplo, pouca cenografia e repertório de ritmo moderado — com faixas como "First Place" e baladas como "All the Way" — transformaram a apresentação em um exercício de paciência para parte do público. Após a participação de The Kid Laroi em "Stay", Bieber chamou guitarristas e transicionou para uma sequência acústica menos conhecida, momento em que muitos espectadores deixaram o espaço.
Em outro momento, o artista revisitou registros antigos e projetou vídeos de seus primeiros anos, o que dividiu a reação da plateia entre nostalgia e desconforto. A percepção de que havia risco de esvaziamento foi contida no fechamento: um bloco final com convidados — Dijon, Tems, Wizkid e Mk.gee — devolveu energia e encerrou a noite com fogos.
No balanço, os Beliebers que foram ao deserto provavelmente saíram satisfeitos, mas o show deixa a impressão de oportunidade não totalmente aproveitada para marcar presença artística num palco tão simbólico. A combinação de produção econômica e escolhas de repertório fez com que a apresentação ficasse aquém do impacto que o alinhamento e o público poderiam oferecer.