O reality criado por Viih Tube e Eliezer, batizado de 'As Patroas (e o Patrão)', colocou 11 funcionários da casa do casal em provas por prêmios que chegariam a R$ 60 mil, com R$ 20 mil para o vencedor. A dinâmica mostrada no primeiro episódio — participantes buscando moedas em locais como vasos sanitários e lixeiras — suscitou imediata reação negativa do público e gerou debate sobre dignidade e exposição.

Após a repercussão negativa, os criadores removeram o conteúdo do ar, mas o caso já atraiu a atenção do Ministério Público do Trabalho, que instaurou procedimento para apurar possíveis condutas trabalhistas. Especialistas consultados pela imprensa ressaltam que a investigação deve avaliar se havia liberdade real para participação, eventual coação, adequação das condições de trabalho e se as provas configuram assédio moral ou violação da dignidade dos empregados.

Do ponto de vista jurídico, o MPT pode analisar elementos como vínculo de emprego, remuneração compatível, jornada e eventual dano moral. A simples remoção do episódio não impede apurações; procedimentos do Ministério Público podem resultar em recomendações, termos de ajuste ou encaminhamento à Justiça do Trabalho, dependendo das evidências reunidas.

No campo da reputação, o episódio reacende a discussão sobre limites do entretenimento envolvendo trabalhadores e a responsabilidade de influenciadores ao transformar relações de trabalho em conteúdo. Mesmo em um formato de entretenimento, a combinação entre emprego e exposição pública cria riscos jurídicos e de imagem que precisam ser confrontados por quem produz esse tipo de material.