Do seu primeiro Coachella, há dois anos, à condição de atração principal, Sabrina Carpenter completou uma trajetória acelerada — e fez questão de marcar o momento. No fim da apresentação inicial que deu a ela visibilidade em 2024, Carpenter prometeu voltar como headliner. Na noite de sexta-feira, cumpriu a promessa com um show elétrico que misturou ambição pop e reverência ao cinema.
O set, de 20 músicas, serviu como uma ode a Hollywood e à própria Califórnia. Houve estreias ao vivo de faixas de Man's Best Friend (2025) — incluindo "When Did You Get Hot", "Sugar Talking" e "We Almost Broke Up Again Last Night" — além da faixa bônus "Such a Funny Way". Participações como Will Ferrell, Sam Elliott e Corey Fogelmanis pontuaram o espetáculo; Samuel L. Jackson apareceu em áudio para emendar: "Agora, Sabrina, termina a porra da música". Susan Sarandon ganhou destaque com um longo monólogo gravado dentro de um carro, que trouxe tom nostálgico e reflexivo.
A cenografia reforçou o conceito: passarela lembrando a Calçada da Fama, elementos que misturam Los Angeles e o deserto, e momentos que remetem a clássicos — de referências sonoras como "Hollywood Swinging" e "Copacabana" a alusões visuais a Some Like It Hot, The Rocky Horror Show e a sequência de tipo "Cell Block Tango" em "Go Go Juice". Em número burlesco, "Feather" destacou essa colagem estética que transformou o palco em um parque temático autoral.
O sucesso recente de Carpenter tem base: do estouro de "Espresso" à turnê Short n' Sweet (72 datas em 2024), ela vem refinando uma produção que virou quase um estúdio ao vivo. No Grammy, já havia mostrado sua capacidade de conceitualizar performances — o famoso cenário de "SC Airlines" — e, para o Coachella, trabalhou o show por cerca de sete meses, segundo entrevistas. O resultado é uma superprodução que traduz seu salto do status de promessa para o de estrela pop, sem abandonar as raízes do fã que a projetaram.