Climão na bancada do Jornal Nacional. Na edição desta quinta, César Tralli e Renata Vasconcellos tiveram de anunciar ao vivo a demissão de Frederic Kachar, que ocupava a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo. A notícia — rara por envolver um executivo da própria casa — chamou atenção pelo tom contido dos apresentadores e pelo caráter institucional do comunicado.
Segundo a empresa, o desligamento foi motivado pelo acesso, ontem, a conversas privadas mantidas entre Kachar e o banqueiro Daniel Vorcaro, entre outubro de 2023 e julho de 2025. As mensagens, diz a nota, teriam revelado uma relação considerada inadequada entre o então executivo e um anunciante. O comunicado foi assinado por João Roberto Marinho e enfatizou compromisso com ética, transparência e a independência editorial do jornalismo do grupo.
A notícia também repercutiu nas redes sociais: usuários e jornalistas comentaram o “climão” de ter de noticiar um episódio que atinge a própria organização. O jornalista Bruno Guzzo, por exemplo, registrou a reação pública ao episódio. Para a audiência, o momento reforçou a curiosidade sobre os bastidores e a distância entre redação e área comercial.
Do ponto de vista dos bastidores, a saída de um executivo que lia publicidade e relacionamento com anunciantes coloca a emissora diante do desafio de preservar a integridade editorial sem deixar de gerenciar contratos comerciais. A nota do grupo tentou transformar a narrativa: a própria cobertura do Caso Master foi citada como prova da independência que a empresa diz manter entre notícias e interesses comerciais.