Neste domingo a morte de Dener completa 32 anos e a família tenta dar à data um outro significado. A terceira edição do jogo em homenagem ao ex-atacante será realizada no estádio Thomas Mazzoni, na Vila Ede, Zona Norte de São Paulo, e trará ao gramado nomes que conviveram com o jogador, como Roque, além de figuras do futebol nacional.
Conhecido pelo drible e passagem curta por clubes como Portuguesa, Vasco e Grêmio, Dener morreu aos 23 anos em um acidente de carro na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Deixou três filhos — Deniz, Felipe e Matheus — e um legado que, por muito tempo, ficou ofuscado pela tragédia. Para a família, abril passou a ser mês de luto e recolhimento.
A homenagem surgiu de um gesto local: um grafite em sua memória e um churrasco entre amigos que, ao longo dos anos, se transformou em partida anual. Deniz, que tinha quatro anos quando o pai morreu, optou por manter o evento na Vila Ede por entender que o bairro preserva a dimensão afetiva da história — ali vive a família, ali nasceu o jogador.
Além da lembrança afetiva, a história tem uma vertente judicial e econômica. A família recorreu à Justiça por indenização após a contratação do jogador pelo Vasco; o pedido inicial era de R$ 15 milhões, com decisão de 2007 fixando cerca de R$ 5 milhões, valor que só foi pago em 2015. O movimento de homenagem busca, portanto, devolver à comunidade e aos torcedores a imagem de Dener como jogador, não apenas como vítima de uma morte precoce.