Em coletiva após a vitória do Palmeiras sobre a LDU pela Libertadores, Abel Ferreira voltou a questionar a regra que limita a troca de clube de jogadores que disputaram 12 partidas no Campeonato Brasileiro — até o ano passado esse limite era de seis. O técnico admitiu ter errado em declarações anteriores, mas manteve o tom crítico: a restrição, na avaliação dele, tem efeitos práticos sobre a formação e a utilização de talentos nacionais.

Abel relacionou a limitação interna à necessidade dos clubes de buscar reforços no exterior. Ele lembrou que, até 2023, cada time podia escalar cinco jogadores de outra nacionalidade e que esse número chegou a nove, o que, segundo o treinador, altera o mercado e reduz espaço para jogadores brasileiros. O técnico também citou um caso concreto: afirmou ter dispensado Merentiel quando a cota era outra e ver a regra ser ampliada dias depois — e questionou, em tom direto, quem assume a responsabilidade por essa mudança.

A reflexão do treinador partiu da venda do atacante Allan ao Manchester City. Para Abel, repor um jogador com o mesmo perfil dentro do elenco é virtualmente impossível, o que o obriga a mirar o mercado externo. Ele disse que quer valorizar atletas nacionais e dar oportunidades a jovens, mas que a regra limita essa atuação: se a opção é buscar reservas locais ou ir ao exterior, a escolha torna-se óbvia e desestimulante para quem trabalha a base.

O comentário coloca o tema de volta na agenda do futebol brasileiro: além do impacto esportivo imediato, a combinação de regras de inscrição e maior presença de estrangeiros pode alterar a cadeia de formação e transferência de jogadores, com consequências econômicas para clubes que dependem da venda de jovens talentos. A crítica de Abel exige resposta dos responsáveis pela regulamentação — ou, no mínimo, debate público entre clubes e entidades sobre como conciliar competitividade, mercado e desenvolvimento de jogadores nacionais.