Depois da vitória por 3 a 0 no Nubank Parque, Abel Ferreira aproveitou a coletiva para alfinetar a decisão do Fortaleza de vender o mando de campo da volta das oitavas da Copa do Brasil. O treinador do Palmeiras usou o episódio para questionar a prática e minimizou o fator esportivo que a troca de local pode representar.
A SAF do Fortaleza acertou a venda do mando por R$ 2,2 milhões e transferiu o jogo da Arena Castelão para a Arena Pantanal, em Cuiabá. A diretoria alega queda de receitas — menos público e sócios —, ausência de patrocinador máster e a necessidade de garantir o pagamento da folha. Pedro Martins, CEO de futebol, admitiu que a medida é impopular, mas justificou-a como uma ação para preservar salários de funcionários, jogadores e comissão.
A escolha por Cuiabá tem também caráter prático: com a sequência da Série B, o clube aproveitou a passagem por Mato Grosso — a equipe já está na cidade e fará treinos no CT do Cuiabá — para reduzir deslocamentos. Ainda assim, a venda do mando tem impacto simbólico e imediato: perde-se a vantagem de atuar diante da torcida e se amplia a percepção de fragilidade financeira da SAF num momento de queda esportiva.
No plano técnico, há incertezas: o volante Ronald sentiu desconforto e deve passar por exames antes do duelo de quarta-feira, às 21h30. A injeção de caixa de curto prazo pode aliviar compromissos imediatos, mas a operação aumenta a pressão sobre a gestão para encontrar soluções estruturais e recuperar receita regular, sob risco de maior desgaste com torcedores e mercado.