A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou, nesta segunda-feira, o técnico Abel Ferreira pelo episódio em que chutou um microfone na beira do campo durante o empate entre Palmeiras e Mirassol, no interior de São Paulo. O episódio ocorreu no domingo e motivou também a abertura de procedimentos contra o árbitro João Vitor Gobi, o quarto árbitro Roger Goulart e o VAR Ilbert Estevam da Silva, que foram chamados a prestar esclarecimentos por não terem expulsado o treinador em campo.

Abel foi enquadrado no Artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de ‘‘conduta contrária à disciplina não tipificada’’. A pena prevista varia de um a seis jogos de suspensão, mas o próprio CBJD prevê a possibilidade de substituição da suspensão por advertência se a infração for avaliada como de pequena gravidade. Ainda assim, a denúncia formal eleva a chance de punição e amplia o escrutínio sobre o comportamento do treinador.

O episódio ganha peso pela sequência recente: em abril, Abel já havia sido punido pelo STJD com suspensão originalmente de oito partidas — reduzida depois para sete — por expulsões em jogos do Brasileirão. A nova denúncia pode tornar mais difícil a gestão do técnico dentro do clube e reforçar questionamentos sobre controle emocional, disciplina e custo esportivo para o Palmeiras caso ele fique de fora de partidas decisivas.

Além do efeito sobre Abel e a comissão técnica, a atitude reacende debate sobre atuação da arbitragem e do VAR, motivo pelo qual os integrantes da equipe de arbitragem foram denunciados para prestar esclarecimentos. O processo no STJD agora segue seu curso: a denúncia é um retrato do momento e não destino final, mas sinaliza risco de punição com impacto prático e político para o treinador e para o clube.