Na véspera das oitavas de final, o técnico Gustavo Alfaro traçou uma imagem rústica para definir a França: uma "tempestade com raios" cuja força exige abrigo e cautela. A comparação, fruto de recordações da infância na região de Rafaela, sintetiza o receio paraguaio diante do elenco de Didier Deschamps, apontado entre os favoritos ao título.
O tom cauteloso de Alfaro vem junto com o impacto político e simbólico do momento no Paraguai. Depois de uma campanha que devolveu o país ao mata-mata — algo que não ocorria desde 2010 — a classificação anterior sobre a Alemanha teve repercussão nacional. O feito histórico levou até a decretar feriado, mas também elevou as expectativas diante de um adversário de maior trajetória.
No plano técnico, Alfaro mantém mistério. A base que bateu a Alemanha pode ser repetida, mas há possibilidade de retorno de Diego Gómez no meio e de Omar Alderete na defesa. Alderete, que saiu lesionado no duelo com a Austrália, fez trabalho fora do gramado e será reavaliado; Canale entrou em seu lugar e converteu a cobrança decisiva. Caso Gómez volte, Damián Bobadilla tende ao banco, o que altera dinâmicas no meio-campo.
Honesto sobre a inexperiência de boa parte do elenco, o treinador admite que a aprendizagem tem sido rápida, mas duvida se basta para frear o poder ofensivo francês. Na prática, a partida expõe uma dupla pressão: consolidar o feito histórico e, ao mesmo tempo, administrar limitações táticas diante de um adversário que exige precisão defensiva e transição rápida. O resultado definirá até que ponto o Paraguai amadureceu no torneio.