A eliminação do Paraguai diante da França nas oitavas trouxe mais do que a despedida precoce da Copa: colocou em xeque a continuidade do trabalho do técnico Gustavo Alfaro. O treinador admitiu não saber se seguirá à frente da seleção, disse que precisa “respirar” e que a decisão será tomada em família, ao mesmo tempo em que proibiu o representante de falar com a imprensa.
Alfaro, 63 anos, relembrou promessas adiadas de aposentadoria — primeiro após a Copa de 2022, quando comandou o Equador, e depois ao assumir o Paraguai — e avaliou com tom pesaroso que não conseguiu levar adiante a revolução que desejava. Apesar da frustração pela eliminação, destacou que o país elevou seus parâmetros e subiu de nível, e deixou um apelo explícito: não deixar apagar a chama do crescimento.
Do ponto de vista esportivo e institucional, a indefinição do treinador expõe um desafio imediato para a Federação Paraguaia: garantir a continuidade do projeto técnico que, segundo Alfaro, já produziu melhorias. A saída do treinador, se confirmada, será um teste para a gestão local — tanto na escolha do substituto quanto na capacidade de preservar a rotina, a filosofia de trabalho e o desenvolvimento das categorias que permitiram o salto recente.
Independentemente da decisão pessoal que venha a tomar, o legado de Alfaro é duplo: trouxe a seleção de volta a um patamar competitivo e deixou um roteiro de transformação inacabado. Agora cabe à entidade e ao futebol paraguaio transformar o impulso alcançado em estrutura duradoura, evitando retrocessos que costumam acompanhar mudanças abruptas na liderança técnica.