Gustavo Alfaro transformou um início de ciclo errático em recuperação suficiente para devolver o Paraguai a uma Copa do Mundo após 16 anos. A virada nas Eliminatórias não só garantiu a vaga antecipada como provocou uma reação popular incomum: torcedores elegeram o treinador a figura mais celebrada do momento e artesãos locais passaram a produzir miniaturas em sua homenagem.

O processo que levou à mudança começou com um desempenho frágil nas fases iniciais da qualificação e a demissão de Daniel Garnero. A Associação Paraguaia optou por pagar a multa rescisória que ligava Alfaro à Costa Rica e instalou o argentino à frente da Albirroja. A resposta em campo foi imediata: nove jogos de invencibilidade nas Eliminatórias, incluindo vitórias sobre Argentina e Brasil, e classificação antecipada para o Mundial.

No banco, Alfaro soma, em menos de dois anos, 18 partidas com oito vitórias, seis empates e quatro derrotas — a única derrota em jogos oficiais ocorreu diante do Brasil, na Neo Química Arena. O resultado reacomodou a narrativa em torno da seleção e trouxe de volta referências fortes do futebol paraguaio; a imprensa local o compara ao técnico Tata Martino em termos de aceitação popular.

Fora dos gramados, o carinho ganhou forma. O ceramista David Chun passou a produzir um boneco de argila de 30 cm batizado pela imprensa como 'Alfarito'; segundo relatos locais, a produção de cem unidades pode levar até sete dias, e a demanda tem sido alta. Aos 63 anos, Alfaro soma longa carreira na Argentina, um título continental com o Arsenal de Sarandí e passagens por Costa Rica e Equador — além de já ter levado o Equador à Copa de 2022. A combinação entre resultado esportivo e simbologia pública mostra como um desempenho consistente pode reconstruir prestígio e gerar produtos culturais em torno de uma seleção.