Minutos depois de baixar o recorde mundial dos 400 m com barreiras para 45s80 em Zurique, Alison dos Santos correu para a área lateral e encontrou o técnico Felipe de Siqueira. O abraço caloroso, coroado com a bandeira do Brasil sobre os ombros do treinador, foi a imagem imediata de um triunfo que mistura técnica, confiança e história pessoal.

A parceria entre atleta e treinador já dura nove temporadas: Piu saiu de São Joaquim da Barra para treinar em São Paulo, no Pinheiros, e hoje vive e prepara-se em Clermont, nos Estados Unidos, ao lado do técnico. O novo recorde soma-se a um currículo que inclui bronzes olímpicos em Tóquio e Paris, o título mundial de 2022 e diversas vitórias na Diamond League.

A leitura técnica do feito destaca a alteração de perfil da prova promovida por Felipe: Alison deixou de poupar a primeira metade para explodir apenas no final; agora imprime intensidade também no começo, abrindo vantagem já nas primeiras barreiras — inclusive sobre nomes que se destacam pela velocidade inicial, como Warholm. O trabalho físico e a manutenção da forma, após uma lesão grave no joelho em 2023, foram determinantes.

Além do impacto esportivo, o resultado reacende a atenção sobre o atletismo brasileiro e legitima a estratégia de formação que combinou base no país e aperfeiçoamento no exterior. Retomar um recorde mundial para o Brasil — o país volta a figurar no topo após quase três décadas — também amplia a visibilidade do esporte e a pressão sobre rivais em ano de competições importantes.