Allan Elias, atacante de 22 anos formado nas categorias do Palmeiras, deixou para trás um período de incertezas e sofrimento antes de firmar-se entre os titulares. À beira de completar a idade do sub-20, viveu angústia sobre o próprio futuro — chegou a chorar na véspera da final do Brasileiro da categoria — até receber de Abel Ferreira o convite para integrar o elenco profissional. Hoje, com 79 partidas, sete gols e sete assistências, o camisa mantém sequência e responsabilidade no time que o revelou.

A trajetória começou no sub-15 e passou por sacrifícios familiares: mudanças de moradia e rotina atípica para um jovem atleta. Os pais foram descritos por Allan como suporte constante, preservando a tranquilidade do filho mesmo em momentos difíceis. A passagem pela base e a cobrança por uma vaga no profissional tornaram-se, na avaliação do atacante, prova de resistência e maturidade para encarar a pressão do futebol de alto nível.

As homenagens que hoje marcam gols e comemorações têm origem em perdas dolorosas. Allan perdeu a irmã Letícia, vítima da Covid‑19 aos 20 anos, e o amigo de infância Gustavo Paco, vítima de um acidente de trânsito. Ele carrega tatuagens e já entrou em campo com uma camisa com a foto do amigo no título do Brasileiro sub-20 — gestos que revelam a dimensão pessoal por trás do jogador e o uso da memória como combustível para seguir em frente.

A resposta do técnico e a sequência de oportunidades transformaram a angústia em chance concreta: Abel não só elogiou o trabalho do jovem nos treinos como pediu que ele não tivesse medo de errar. A partir daí, Allan consolidou‑se como opção titular e símbolo de que a base ainda é caminho viável para o time principal. Resta ao atacante transformar confiança em regularidade e justificar, dentro de campo, a aposta que saiu de uma conversa e hoje tem efeito prático na escalação.