O Amazonas divulgou neste domingo um vídeo com quatro lances em que o zagueiro Léo Coelho aparece diretamente envolvido em gols sofridos pelo clube, uma publicação que veio dois dias após o jogador ter recorrido à Justiça do Trabalho. Em nota oficial de despedida, o clube agradeceu os 39 jogos e os dois gols do defensor, mas a montagem pública dos erros criou tom ambíguo entre agradecimento e exposição.
A ação, protocolada na sexta-feira (10), pede a rescisão indireta do contrato e cobra R$ 8.125.567,16. Na petição, Léo Coelho afirma que o Amazonas acumula cerca de cinco meses de salários atrasados, não efetuou depósitos do FGTS desde a contratação e deixou de pagar direitos de imagem. O zagueiro também solicitou liminar para ficar livre e assinar por outra equipe.
O caso é o de maior valor entre os processos do atual elenco e se soma a ações movidas por Renan, Fabiano e Gabriel Cipriano; Erick Varão e Jorge Jiménez já tinham rescindido antes. O clube convive com múltiplas demandas trabalhistas, transfer bans aplicados pela FIFA e tenta, ao mesmo tempo, recuperar desempenho na Série C depois de perder rendimento nas últimas rodadas.
Além do desgaste jurídico, a circunstância expõe um problema de governança e comunicação: a divulgação das falhas individuais, em vez de priorizar solução de pendências financeiras, amplia o custo reputacional. Se não houver resolução rápida, a crise fora de campo tende a contaminá-la dentro de campo, com impacto direto nas contas, na montagem do elenco e na disputa pela vaga no G-8.