Em apenas quatro anos o América-MG percorreu uma queda vertiginosa: da inédita participação na Copa Libertadores em 2022 ao rebaixamento confirmado para a Série C nesta quarta-feira, após derrota para o Fortaleza no Independência. A queda foi sacramentada com seis rodadas de antecedência e coloca o clube de volta à terceira divisão pela primeira vez desde 2009; a Ponte Preta acompanhou o Coelho na degola.
O contraste com o auge recente é nítido. Entre 2021 e 2023 o clube viveu suas melhores temporadas em pontos corridos — atingiu o oitavo lugar no Brasileirão de 2021, avançou à Pré-Libertadores em 2022 superando Guarani-PAR e Barcelona-EQU e chegou a disputar fase de grupos. Em 2023 o América teve campanhas de brilho em mata-mata, chegando às quartas da Copa do Brasil e da Sul-Americana; naquele ano, o lateral Arthur chegou a ser convocado por Ramon Menezes para a Seleção Brasileira.
A trajetória positiva, porém, deu lugar a um processo de desgaste que se acelerou com a queda para a Série B em 2023 — também consumada com antecedência — e a consequente redução brusca de receitas. No período que se seguiu o elenco foi enxuto, o clube sofreu eliminações precoces (como a derrota para o Maringá na Copa do Brasil de 2024) e não converteu campanhas estáveis na segunda divisão: a primeira temporada em Série B terminou em oitavo lugar, distante do acesso, e agora veio o rebaixamento à terceira divisão.
O resultado tem efeitos concretos: perda de receita de TV e patrocínios, risco de desmobilização do elenco e aumento da pressão sobre a diretoria e o projeto administrativo. Nas arquibancadas, a revolta é visível — um torcedor viralizou ao se fantasiar de palhaço como forma de protesto — e sinaliza perda de confiança que exige resposta imediata. O América entra num período em que recuperação esportiva dependerá de reestruturação financeira e planejamento profissional; sem mudanças, o risco é estender o declínio além de um ciclo ruim.