Carlo Ancelotti completa 67 anos nesta quarta-feira e vai passar a data na concentração da seleção brasileira em Nova Jersey. Haverá bolo na base da delegação — um gesto simples que marca o fim de uma semana de treinos e a véspera da estreia na Copa. O aniversário reforça o caráter simbólico desta campanha: é a primeira edição do Mundial em que Ancelotti assume o comando como treinador principal, embora já tenha participado de uma Copa como auxiliar, em 1994, na equipe de Arrigo Sacchi.
A vida entre países virou rotina para o técnico. No primeiro ano à frente do Brasil, ele dividiu moradia entre Vancouver, no Canadá, e a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde escolheu um apartamento de frente para o mar. A relação com o litoral chamou atenção: para evitar atenção pública, Ancelotti passou a fazer caminhadas matinais com boné. A adaptação pessoal tem sido tão observada quanto a atuação dentro de campo.
Fora do gramado, a gastronomia e os hábitos pessoais vêm à tona. Apaixonado por cozinhar, Ancelotti costuma prometer almoços e jantares a amigos, muitas vezes adiados pela agenda. No Brasil, frequenta churrascarias e cantinas italianas e afirma preferência por pratos como a polenta; critica, no entanto, o hábito local de cozinhar massas além do ponto — ele prefere 'al dente'. Imagens recentes de um aparelho que aquece cigarros (sem combustão) durante treino geraram repercussão, e o uso de chicletes à beira do campo é citado como estratégia para driblar a abstinência.
A integração ao país ganhou reforço com aulas intensivas de português: segundo o professor Roberto Piantino, Ancelotti chegou a ter quatro aulas semanais, inclusive aos sábados, para se preparar para coletivas e o convívio com jogadores. A facilidade vem também da fluência em italiano, espanhol, inglês e francês, além de conhecimentos de alemão adquiridos no Bayern. O aniversário em Nova Jersey soma um capítulo humano à trajetória do treinador às vésperas do desafio máximo como comandante.