Carlo Ancelotti surpreendeu a cena pré-jogo na Filadélfia ao cantar o hino do Brasil ao lado dos jogadores no banco de reservas antes do confronto com o Haiti. A imagem reforça a tentativa de aproximação do técnico com o elenco e com a torcida, um gesto simbólico que acompanha a fluência em português que ele vem demonstrando nas entrevistas.
Aos 67 anos, Ancelotti vive sua primeira Copa do Mundo como treinador principal, embora já tenha participado do torneio em 1994 como auxiliar de Arrigo Sacchi — a Itália daquela edição foi eliminada justamente pelo Brasil na final. Desde que assumiu a Seleção, o italiano dividiu a rotina entre Vancouver, onde mora com a família, e a Barra da Tijuca, no Rio, e ganhou atenção por hábitos fora do campo: é fã de churrascarias, aprecia cantinas italianas e costuma cozinhar quando o tempo permite.
O treinador também tem rotina de adaptação cultural: fez um 'intensivão' de aulas de português — chegando a ter quatro encontros semanais, segundo seu professor Roberto Piantino — e admite que a proximidade com o espanhol às vezes causa trocas. Pequenas controvérsias, como imagens dele com um aparelho que aquece cigarro em treinos, viraram assunto nas redes; nos jogos, o chiclete mascado à beira do campo já virou marca pessoal para driblar a abstinência.
No plano esportivo, o gesto de entoar o hino funciona como sinal de integração e naturaliza a presença de um técnico estrangeiro num momento de forte exposição. Mais do que marketing, a familiaridade linguística e cultural ajuda na comunicação tática e no vínculo com os atletas — fatores práticos que podem ter impacto direto no desempenho em campo, especialmente em um torneio tão curto e decisivo.