Do banco à possibilidade de titularidade: 16 dias após a polêmica por não entrar no jogo de estreia, Endrick voltou a aparecer como opção imediata de Carlo Ancelotti. A saída de Lucas Paquetá, substituído no intervalo contra o Japão, levou o treinador a escolher o atacante para a segunda etapa, quando o Brasil buscava força na área.
Ancelotti justificou a alteração com a necessidade de mais presença física na grande área — uma mudança pragmática diante de um adversário fechado. A alteração tática funcionou: o time passou a recorrer aos cruzamentos (foram 25 na partida) e reapareceu mais vertical e perigoso nas zonas de definição, resultando na virada por 2 a 1.
A entrada de Endrick foi apontada pelo técnico como intensa e influente no jogo aéreo, mostrando que a seleção tem alternativas caso a lesão de Paquetá se confirme. A adaptação do modelo, de jogo associativo para uma postura mais direta, expõe também limitações: falta criatividade por dentro quando o adversário se fecha, compensada hoje pelo jogo de área.
O triunfo tem um peso simbólico: desde 2002 o Brasil não reverteu um jogo eliminatório em Copa — coincidência com o último título. Para Ancelotti, a recuperação é sinal de amadurecimento, mas a solução praticada em Houston traz perguntas sobre consistência e dependência de soluções físicas contra defesas compactas.
À espera do adversário das oitavas (Noruega ou Costa do Marfim), o técnico tem agora um dilema prático: priorizar presença de área com Endrick ou buscar criatividade caso Paquetá não esteja disponível. A escolha será determinante para a leitura tática do time nas fases finais.