O encerramento de Argélia 3 x 3 Áustria, em Kansas City, teve tudo que se espera — e o que se evita — num clássico de fim de fase: passividade, vaias e uma reviravolta nos acréscimos. Com o placar em 2 a 2, as equipes passaram quase cinco minutos apenas trocando passes laterais, atitude que irritou a arquibancada e deu a impressão de que a partida terminaria morna.

O jogo só voltou a ferver quando Riyad Mahrez apareceu aos 47min50s e marcou o que parecia o gol da classificação argelina: 3 a 2. A vantagem deixava a Argélia virtualmente classificada e eliminava a Áustria — situação que obrigou os europeus a um desespero tático nos instantes finais. Aos 50min05s, veio o empate de cabeça, num golpe de efeito que sepultou a frustração local e devolveu o equilíbrio.

O resultado classifica as duas seleções para a fase seguinte e elimina o Irã, que dependia de um desfecho diferente para avançar. Para a próxima fase, a Áustria terá pela frente a Espanha; a Argélia vai encarar a Suíça. Do ponto de vista prático, o 3 a 3 resolve a aritmética do grupo, mas deixa questões sobre controle emocional e leitura de risco — sobretudo em partidas onde a vantagem numérica no placar não garante segurança.

Do banco austríaco, o técnico Ralf Rangnick admitiu surpresa com os últimos segundos e relatou mistura de alívio e euforia no vestiário. Para a torcida, sobrou reclamação pela postura de ambos os times antes do desfecho: vaias que traduziram intolerância à inércia e celebração pelos gols finais. O confronto será lembrado mais pelo sprint decisivo do que pela hora de bola parada que o antecedeu.