Líder do Grupo J, a Argentina acabou encaixada em um lado da chave que, até a semifinal, dificilmente a obrigará a enfrentar seleções campeãs mundiais. A surpresa começou com a eliminação do Uruguai — bicampeão em 1930 e 1950 — e se consolidou com as classificações inesperadas do estreante Cabo Verde e de outras equipes que não têm títulos mundiais no currículo.

Na Segunda Fase, o adversário será o segundo colocado do Grupo H: a vaga coube a Cabo Verde, que protagonizou um avanço histórico e estreia no mata-mata justamente contra os comandados de Lionel Scaloni. Se passar, a Argentina pode encarar na sequência o vencedor de Austrália e Egito, confrontos vindos de chaves sem campeões anteriores, o que mantém o caminho livre de tradições vitoriosas até então.

O panorama das quartas também beneficiou o chaveamento. A expectativa por um duelo entre Messi e Cristiano Ronaldo — condicionada a um Portugal forte — não se confirmou: Portugal tropeçou na fase de grupos, empatou duas vezes e ficou atrás da Colômbia. Assim, possíveis adversários no mata-mata serão seleções como Suíça, Argélia, Colômbia ou Gana, nenhuma com título mundial.

Só na eventual semifinal a Argentina pode esbarrar em um passado campeão: do outro lado da chave estão Brasil e Inglaterra, líderes de seus grupos e únicos nomes com títulos que podem encontrar a seleção argentina antes da decisão. O cenário desenha um percurso com testes crescentes, mas que, até a reta final, protege os favoritos do desgaste imediato provocado por grandes rivais históricos.