A Argentina chega à semifinal com um argumento numérico difícil de ignorar: a média de ranking da Fifa dos seis adversários enfrentados até agora é de 38,3, a pior entre os quatro semifinalistas. Nenhum duelo foi contra uma seleção colocada entre as 15 melhores do mundo no ranking divulgado antes do torneio, o que abre espaço para a avaliação de que o caminho foi, em termos de adversários, mais favorável.
A sequência de confrontos evidencia essa leitura. Na fase de grupos, os argentinos encararam Argélia (28º), Áustria (24º) e Jordânia (63º). Depois vieram Cabo Verde (67º) — só batida na prorrogação — o Egito (29º) e a Suíça (19º) nas quartas. Por outro lado, a chave poderia ter reservado confrontos mais duros: Uruguai (16º) nas oitavas ou confrontos com Portugal (5º), Colômbia (13º), Inglaterra (4ª) ou Brasil (6º) nas fases decisivas eram cenários possíveis segundo as projeções.
Mas vantagem de tabela não virou passeio. A Argentina precisou de prorrogação duas vezes e de uma virada nos acréscimos contra o Egito. Em paralelo, a campanha carrega controvérsias de arbitragem: lances contrários que geraram reclamações — desde um lance de Messi que não resultou em expulsão até a anulação pelo VAR de um gol egípcio — e decisões revistas que beneficiaram os argentinos. O técnico do Egito criticou abertamente a condução do jogo, enquanto a direção de arbitragem da Fifa manifestou apoio às marcações.
O capítulo mais recente, contra a Suíça, também teve reversão pelo VAR quando uma falta de Paredes foi reinterpretada como simulação de Embolo, resultando na expulsão do suíço. O balanço é ambíguo: estatisticamente, um caminho menos exigente; na prática, jogos decididos no detalhe e por intervenções oficiais que deixaram manchas. A partida contra a Inglaterra, marcada para quarta-feira às 16h (Brasília) em Atlanta, será o teste mais claro para medir se a seleção campeã supera a suspeita de ter sido ajudada pela combinação de sorte de chave e decisões de arbitragem.