A atual campeã mundial passou sufoco, mas avançou: Argentina 3 x 2 Cabo Verde, decidida na prorrogação. Lionel Messi abriu o marcador, Lisandro Martínez voltou a marcar no início do tempo extra, Sidny Cabral empatou para os africanos e a vitória acabou vindo em um desvio, após cobrança de escanteio. O placar confirma a classificação, mas não apaga as lições do jogo.

Cabo Verde repetiu a estratégia que o consagrou na fase de grupos: uma linha de cinco defensores (Moreira, Pico Lopes, Kevin Pina, Diney Borges e Sidny Cabral) e compactação máxima, forçando a Argentina a trabalhar a bola com paciência e pouca velocidade. A seleção africana saiu da retranca nos momentos certos e obrigou os hermanos a penar para criar espaços.

O problema argentino foi claro: falta de urgência e de aceleração para matar o jogo. Depois do primeiro gol, a equipe não elevou o ritmo, cedeu terreno e viu o empate chegar ainda no segundo tempo. Na prorrogação, o mesmo padrão se repetiu — a diferença acabou vindo da bola parada e de um desvio de sorte, não de domínio claro do jogo. Foi uma vitória com recados.

A passagem às oitavas contra o Egito é conquistada, mas a partida deixa um alerta para Scaloni: confiar apenas no controle posicional e em momentâneos lampejos de qualidade pode não bastar diante de adversários sólidos defensivamente. Ajustes de intensidade, alternativas para furar retrancas e maior senso de urgência serão exigidos se a Argentina quiser defender o título sem sustos.