A classificação às oitavas da Copa do Brasil trouxe alívio, mas pouco conforto: no Antônio Accioly, o Athletico voltou a produzir futebol pobre e só passou pelo Atlético-GO depois de 4 a 1 nas cobranças de pênalti. O empate sem gols repete o roteiro frágil da ida e expõe a dificuldade clara do time para criar e combinar jogadas fora da Arena da Baixada.

Se há um herói individual, é o goleiro Santos, decisivo com defesas no tempo normal e uma defesa nas penalidades. Ainda assim, depender de intervenções pontuais para avançar não pode ser a estratégia de um clube que disputa títulos e precisa de regularidade. A performance visitante é preocupante: o jejum de vitórias longe de casa já se aproxima de três meses, cenário que pressiona comissão técnica e diretoria.

Odair Hellmann teve novamente a confirmação de limites táticos e de opções. A perda de peças importantes por lesão — como os casos de Terán e Luiz Gustavo — reduziu alternativas e deixou o elenco mais vulnerável. A sequência mostra que o grupo de jovens rende, mas não substitui experiência; confiar exclusivamente na base sem reforços pontuais no meio do ano é risco que pode custar competições mais longas.

A direção precisa transformar a lição em ação: reforços para recompor o setor físico e criativo, e planejamento que ofereça alternativas táticas para jogos fora de casa. A classificação vale, mas serve sobretudo como alerta. Se não houver respostas rápidas e objetivas, a temporada pode sofrer pela mesma inconsistência que apareceu nesta noite em Goiânia.