O Atlético-MG confirmou a vaga na final da Copa Sul-Americana mesmo depois de uma noite de maior aperto em Montevidéu: derrota por 2 a 0 diante do Montevideo City Torque que não impediu a classificação graças ao 3 a 0 do jogo de ida, fechando o agregado em 3 a 2. É a terceira final continental seguida do clube, resultado que reforça a tradição do time em mata-matas, mas não apaga os problemas exibidos na cancha uruguaia.

Do banco, o técnico Domínguez repetiu a aposta na força máxima e manteve jogadores pendurados em amarelos. A estratégia, porém, não surtiu o efeito desejado: o Torque ditou o ritmo do primeiro tempo, o Atlético se fechou demasiadamente e teve dificuldades para conectar passes e criar superioridade no meio. O goleiro Gabriel Delfim evitou o que poderia ter sido um primeiro golpe ainda na etapa inicial, com defesas importantes; Reinier chegou a acertar o travessão, mas a pressão adversária permaneceu.

Na volta, poucas mudanças alteraram a dinâmica. A comissão técnica tentou reforçar a defesa com três zagueiros, mas a equipe não conseguiu controlar o jogo. Onze minutos após a alteração, Alan Franco recebeu o segundo amarelo e deixou o time com um a menos — situação que mudou a partida. O Torque aproveitou o número a mais e marcou aos 43 e aos 48 minutos, com um sufoco nos minutos finais que só não virou virada graças ao placar construído em Belo Horizonte.

O resultado traz dois sinais ao Atlético: por um lado, a solidez do elenco em fases decisivas e a capacidade de transformar vantagem em classificação; por outro, fragilidades claras em disciplina, controle de jogo fora de casa e na gestão de desgaste físico e emocional. Antes do desafio contra o Boca na final, a comissão técnica precisa corrigir erros táticos e evitar cartões que podem custar caro em confrontos de alto nível. Classificar-se é mérito — a forma como se chegou lá impõe urgência de ajustes.