A saída de Jonathan Wheatley às vésperas do GP do Japão pegou o paddock de surpresa e forçou a Audi a buscar uma solução rápida que não rompesse a já delicada cadeia de comando. A promoção de Allan McNish a diretor de corridas é, nas palavras do mercado, uma solução “caseira”: alguém de casa, com trânsito e respeito no projeto, capaz de reduzir atritos num ano em que a estabilidade operacional é prioritária.

McNish tem trajetória híbrida: breve passagem como piloto de Fórmula 1 pela Toyota — com um sétimo lugar em 2002 como melhor resultado — e carreira destacada no endurance, culminando no título do WEC em 2013 e na vitória nas 24 Horas de Le Mans. Desde o início do projeto da Audi na F1, atuou em cargos técnicos e de gestão, como diretor de coordenação, chefe de equipe na Fórmula E e à frente do programa de desenvolvimento de pilotos.

Na nova função — que começa já em Miami — McNish ficará responsável por coordenar operações de pista e engenharia, supervisionar assuntos esportivos e gerir pilotos, estratégias e a operação de garagem, reportando-se diretamente a Mattia Binotto. A escolha interna evita a entrada de um chefe com cultura diferente que poderia provocar choques de comando num ano em que a equipe ainda ajusta seu crescimento.

O diagnóstico técnico, porém, é claro: a Audi soma dois pontos em três corridas e teve problemas de confiabilidade que impediram Hulkenberg de largar em Melbourne e afetaram Bortoleto na China. Os upgrades prometidos para Miami serão o termômetro da promoção — McNish pode contribuir para organizar o trabalho de pista, mas a continuidade do desempenho depende de correções de engenharia e da capacidade de Binotto de articular o projeto sem sobrecarga executiva.