A CBF divulgou na manhã desta quinta-feira o áudio entre a equipe de vídeo e o árbitro Alex Gomes Stefano que resultou nas expulsões de Cacá e Luan Cândido, do Vitória, na goleada por 4 a 0 do Palmeiras, no Barradão. Aos 36 minutos do primeiro tempo, o VAR Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG) recomendou revisão para cartão vermelho após analisar falta de Cacá em Arias: "o jogador não acerta a bola e com as travas acerta a panturrilha do adversário, com intensidade alta", disse o membro do vídeo.
Alex foi à cabine, reviu as imagens e acatou a mudança de decisão, convertendo um lance não marcado inicialmente em expulsão por jogo brusco grave. Minutos depois, com a partida já conturbada, Luan Cândido fez sinal de "roubo" em reação à decisão; novamente o VAR chamou o árbitro e recomendou revisão pela reclamação, que também terminou em cartão vermelho para o defensor do Vitória.
O comentarista de arbitragem PC Oliveira, ouvido pela reportagem, considerou que os dois cartões vermelhos foram aplicados corretamente, mas apontou contradição: aos 25 minutos do primeiro tempo Maurício, do Palmeiras, acertou o braço na região do queixo de Cacá, que precisou de atendimento e levou cinco pontos. Para PC Oliveira, o movimento de "gatilho" justificaria expulsão de Maurício, lance em que o árbitro só mostrou amarelo e o VAR não recomendou revisão, situação que, segundo o analista, contribuiu para a perda de controle do encontro.
Além do efeito imediato sobre o placar — o Vitória ficou com dois jogadores a menos antes do intervalo — o episódio reabriu o debate sobre a consistência na aplicação dos protocolos de revisão por vídeo. A sequência de decisões mostra critérios que parecem variar lance a lance e alimenta cobrança por clareza: clubes, torcedores e analistas voltam a pedir uniformidade para reduzir a sensação de imprevisibilidade nas partidas.