Ayyoub Bouaddi foi a grande surpresa da rodada inaugural ao lado de Vinícius Jr. No empate em 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, o meia de 18 anos não só apareceu com naturalidade para a partida como ditou trechos do jogo, ajudando a seleção africana a manter um ritmo de posse e aproximações que desconcertou a defesa brasileira em momentos decisivos.
Fisicamente presente e tecnicamente sólido, Bouaddi terminou a partida como líder em número de passes (66) e percorreu a maior distância entre os jogadores (11,87 km), segundo dados da Fifa. Sua movimentação constante, seja pressionando Casemiro na saída de bola ou neutralizando Vinícius Jr em ações defensivas, deu ao Marrocos maior fluidez ofensiva e sustentação no meio-campo.
Formado no Lille, o meia estreou profissionalmente aos 16 anos e já havia mostrado sinais de maturidade em confrontos europeus, inclusive em uma estreia na Champions aos 17 contra o Real Madrid. Apesar de ter passado por seleções de base da França, Bouaddi optou em meados de maio por representar o país de origem de seus pais, decisão que agora ganha contornos de acerto após a atuação diante do Brasil.
O desempenho confirma o trabalho da federação marroquina para integrar talentos da diáspora e reforça a ideia de que a escolha do jogador não foi apenas simbólica, mas também esportiva. Se mantiver o nível exibido na estreia, Bouaddi tem potencial para se tornar uma das caras do torneio — e a sua presença já altera o panorama de opções jovens tanto para Marrocos quanto para a França.