Autor de dois gols na vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai, Folarin Balogun virou herói da estreia dos Estados Unidos na Copa — e também um personagem inesperado fora das quatro linhas. Ele nasceu em Nova York em 3 de julho de 2001 porque sua mãe, grávida de sete meses, foi impedida de embarcar de volta à Inglaterra por uma companhia aérea. O nascimento lhe garantiu a cidadania americana; semanas depois a família retornou à Europa.
Criado em Londres, Balogun nunca morou nos Estados Unidos nem atuou por clubes americanos. Ingressou no Arsenal aos 8 anos, passou por todas as categorias de base e chegou a defender seleções jovens da Inglaterra. Fez sua estreia profissional em 2020, teve passagem pelo Middlesbrough e estourou no Reims em 2022-23, quando marcou 21 gols na Ligue 1. Em 2023 foi contratado pelo Monaco por cerca de €40 milhões.
Em 2023 Balogun exerceu o direito ligado ao seu local de nascimento e optou por defender os EUA. A escolha rendeu retorno imediato: sob comando de Mauricio Pochettino, o atacante camisa 20 garantiu a artilharia provisória do torneio com dois gols ainda no primeiro tempo, em partida realizada na região de Los Angeles.
Além do aspecto esportivo, a história tem carga política. Se medidas para restringir a cidadania por nascimento, como as propostas defendidas pelo governo dos EUA em 2025, estivessem vigentes em 2001, Balogun provavelmente não teria a mesma trajetória. Em um Mundial marcado por recusa de vistos a atletas, membros de delegações e torcedores, o caso ressalta a distância entre o laço formal do documento e as condições sociais e esportivas que formaram o jogador.