A bandeira da Arábia Saudita não toca o solo nas cerimônias pré-jogo da Copa do Mundo por uma razão religiosa: ela traz estampada a Shahada, a declaração de fé islâmica. Por preceitos religiosos, a inscrição não pode ser colocada no chão nem submetida à água, o que exige adaptação nos protocolos tradicionais de apresentação das seleções.
O manual de protocolo da Fifa prevê que as bandeiras das duas equipes sejam estendidas no campo enquanto jogadores e comissão se posicionam no círculo central para os hinos. No caso dos sauditas, a bandeira foi mantida na posição prevista, mas elevada ou apoiada de modo a evitar qualquer contato com o gramado. O mesmo procedimento foi adotado no jogo de estreia contra o Uruguai e será repetido na partida contra a Espanha, marcada para domingo às 13h (de Brasília).
Além da acomodação à bandeira saudita, a organização trouxe outras novidades visuais para o pré-jogo — como arcos de entrada e banner no meio-campo — e anunciou que nas fases finais o ritual terá fumaça colorida e fogos. A mudança busca integrar torcedores de todos os setores do estádio e padronizar a experiência sem ferir sensibilidades culturais ou religiosas.
Do ponto de vista operacional, o ajuste é simples, mas simbólico: mostra que a Fifa admite exceções pontuais para preservar convicções religiosas e evitar ofensas. Ao mesmo tempo, impõe à entidade a necessidade de critérios claros para tratar sinais e símbolos distintos, evitando decisões ad hoc que possam gerar questionamentos sobre consistência e igualdade de tratamento entre delegações.