A discussão pública sobre linguagem e respeito entrou em campo após a partida entre Santos e Remo, quando Neymar, insatisfeito com um cartão amarelo, disse em entrevista que o árbitro Sávio Pereira Sampaio 'estava de chico'. A expressão, repetida pelo jogador ao deixar o gramado, gerou reação imediata nas redes e nos estúdios de TV.

Na Cazé TV, a apresentadora Bárbara Coelho classificou o termo como carregado de conotação machista e depreendeu da fala do atleta uma ofensa que recorre a estereótipos contra mulheres. Coelho explicou que a expressão tem origem pejorativa, ligada a imagens de sujeira, e que seu uso naturaliza uma comparação degradante.

A expressão carrega uma origem pejorativa e reduz mulheres a uma referência de sujeira, o que a torna inaceitável no debate público.

A jornalista chamou atenção para o papel dos profissionais e dos clubes na formação de condutas: mais do que punir, afirmou, é preciso mudar hábitos de linguagem. Ela sugeriu um 'pacto' entre atletas e comentaristas para evitar termos que desumanizem e para concentrar críticas na atuação técnica e não em referências pejorativas.

Do lado esportivo, Neymar defendeu-se ao relatar entradas e a marcação que o irritaram durante o jogo, reclamando do cartão. Ainda assim, a reação de Coelho desloca o foco da polêmica da arbitragem para o debate sobre responsabilidade verbal de figuras públicas no esporte.

O episódio prova que declarações de campo podem repercutir além do placar: tensionam imagem de jogadores, alimentam debates sobre cultura do futebol e pressionam clubes e emissoras a adotarem códigos de conduta mais claros sobre linguagem e respeito.

Não é questão de liberdade de expressão, é uma escolha coletiva para não naturalizar ofensas nem trazer a mulher como termo de comparação negativa.