O Barra, de Balneário Camboriú, chega à partida de ida da 5ª fase da Copa do Brasil contra o Corinthians com a aura de novidade que acompanha sua ascensão: títulos inéditos no estado e a boa campanha que o colocou entre os grandes jogos nacionais. Conhecido como Pescador, o clube consolida uma identidade tática clara e quer fazer do sistema coletivo sua principal arma diante de um adversário de maior tradição.
A base do time é o 4-3-3, mantido mesmo após a troca no comando técnico — saída de Eduardo Souza e chegada de Bernardo Franco. O novo treinador já sinalizou continuidade: reconheceu que pegou um trabalho em andamento, afirmou a necessidade de ajustes naturais e ressaltou a intenção de potencializar os atletas que formam o elenco. Na prática, Franco ainda não repetiu escalações nas três partidas sob seu comando, o que indica busca por equilíbrio entre adaptação e manutenção de pontos fortes.
O setor defensivo é o carro-chefe: em 17 jogos na temporada (estadual, Copa do Brasil e Série C) o Barra sofreu apenas 11 gols, média de 0,65 por partida. Embora o ataque também produza — 21 gols, média de 1,2 — a coesão defensiva é o único bloco praticamente intocável, com goleiro, dupla de zaga e primeiro volante presentes em todas as partidas. No ataque, o atacante Cléo Silva aparece como peça mais constante, sendo o único a figurar como titular em todos os jogos até aqui.
Na Copa do Brasil, o time avançou ao eliminar América-MG e Volta Redonda nas disputas de pênaltis, após empates sem gols nos tempos regulamentares. A leitura de analistas locais é a de um time organizado, coletivo e capaz de variar sua postura entre uma marcação mais agressiva e momentos reativos, apostando em transições e contra-ataques. Contra o Corinthians, a credencial do Barra é essa consistência defensiva e a disciplina tática — será uma prova da capacidade do clube de, além de surpreender, impor dificuldades concretas a um favorito.