Quando o sorteio da quinta fase da Copa do Brasil colocou o Corinthians no caminho do Barra, dirigentes do clube de Santa Catarina celebraram. Mais do que evitar um confronto difícil, enxergaram a chance de apresentar a um público nacional um projeto que, em pouco mais de uma década, mudou de patamar. A partida virou, nas palavras da direção, uma vitrine para mostrar o que se construiu em Balneário Camboriú — da base ao CT — e testar a ambição do clube fora do Estado.

Fundado em 2013, o Barra ganhou impulso a partir de 2020, com a aquisição pela Braho, controlada pela Hobra. Nos vínculos societários e esportivos aparecem nomes europeus: o bilionário Dietmar Hopp, entre os investidores por trás da cadeia, parcerias técnicas com o Hoffenheim e intercâmbios com o Académico de Viseu, clube português também ligado ao grupo. A Rogon atua como parceira técnica na formação, mas não é proprietária do clube, segundo executivos envolvidos no projeto.

A aposta é visível na infraestrutura. O centro de treinamento tem alojamento com capacidade para 120 atletas — um modelo que clubes grandes sonham em replicar — e um centro de performance com academia, fisiologia, nutrição e espaços educativos. Cerca de 30% do elenco profissional saiu da base do próprio clube. Na prática esportiva há também tecnologia: o Barra utiliza o CUJU, aplicativo que analisa fundamentos a partir de vídeos, para compor relatórios de desempenho e orientar o desenvolvimento individual.

O jogo contra o Corinthians representa ganhos concretos e riscos. Em campo, vale a validação competitiva de um elenco que mescla juventude e experiência; fora dele, a exposição pode atrair patrocinadores, ampliar valor de mercado dos atletas e reforçar a narrativa de um clube-empresa moderno. Mas a partida também pode expor fragilidades — competitivas ou administrativas — e testar a sustentabilidade de um modelo dependente de parcerias e resultados. Para o Barra, a Copa do Brasil é ao mesmo tempo oportunidade comercial e litmus test do projeto que promete chacoalhar o futebol catarinense.