Chamado de "Team One", o grupo formado por 169 árbitros, assistentes e oficiais de vídeo ocupa desde o final de maio um hotel em Miami Beach e uma rotina que mistura disciplina e visibilidade. Colado à parede do escritório improvisado no hotel, um mapa com as 48 bandeiras das seleções lembra a dimensão do torneio — e a pressão que acompanha quem será responsável por 104 partidas ao longo da Copa.

O dia começa cedo: café às 7h30 e, uma hora depois, a reunião para anunciar as designações dos próximos jogos. Em um dos encontros, o chefe de arbitragem Pierluigi Collina anunciou Istvan Kovacs como árbitro do milésimo jogo da história das Copas, gesto que foi celebrado pelos colegas; Wilton Pereira Sampaio, por sua vez, já teve recepção semelhante ao ser escalado para a partida de abertura. Detalhes de cerimônia e uniformes — como a camisa laranja com patch do milésimo jogo — fazem parte da preparação simbólica.

Por volta das 9h três ônibus deixam o hotel escoltados pela polícia rumo à Universidade Miami-Dade, num trajeto de cerca de 40 minutos. Em quatro campos, os árbitros fazem treinos físicos e técnicos por cerca de uma hora e meia, com instrutores e jogadores semiprofissionais contratados para simular pênaltis e outros lances. Enquanto isso, os 30 árbitros de vídeo estão baseados em Dallas, no IBC, onde ficam as cabines do VAR.

A estrutura de apoio inclui alimentação preparada por um chef, serviço de fisioterapia e áreas de recreação — itens que refletem a montagem profissional da concentração. Há também percalços: o somali Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos e não integrou o grupo. A rotina, ainda que controlada e discreta, expõe a responsabilidade e o escrutínio que acompanham os juízes: cada decisão em campo será observada por torcidas, clubes e pela imprensa ao longo do torneio.