Sebastián Beccacece é hoje a principal razão pela qual o Equador é visto como a grande surpresa das Eliminatórias sul-americanas. Substituto de Félix Sánchez Bas em 2024, o técnico perdeu a estreia contra o Brasil e, a partir daí, não voltou a ser derrotado, conduzindo a seleção ao segundo lugar das Eliminatórias e a uma vaga no Mundial.
A trajetória do treinador remete aos bastidores: auxiliar de Jorge Sampaoli em 2014 e 2018, Beccacece teve desentendimentos com Lionel Scaloni quando este ficou à frente da Argentina após a saída de Sampaoli. Na época ele deixou claro que não concordou com a escolha do colega; nos anos seguintes houve distanciamento, que se consolidou com ambos em lados opostos do futebol sul-americano.
No trabalho com a seleção equatoriana, Beccacece apostou na juventude e na profundidade de elenco. Em cerca de 20 meses mudou quase 65% do grupo, avaliou mais de 140 atletas e montou uma base nova. O resultado prático apareceu nas estatísticas: 29 pontos em 18 jogos e apenas cinco gols sofridos — a defesa menos vazada das Eliminatórias.
O grupo também traz peças que atuam no futebol brasileiro, como Alan Franco, Félix Torres, Minda, Plata e Preciado, o que ajuda na familiaridade com estilos e intensidades regionais. O desempenho permite ao Equador sonhar com avançar além da fase de grupos, algo que o país não alcança desde 2006.
Do ponto de vista técnico e de imagem, a campanha de Beccacece aumenta sua projeção internacional e, ao mesmo tempo, altera o mapa de forças da América do Sul: times tradicionais enfrentam uma seleção compacta e bem treinada, que chega ao Mundial sem a obrigação das favoritas, mas com margem clara para incomodar adversários maiores.