A Bélgica encerrou a preparação para a Copa do Mundo com uma vitória contundente: 5 a 0 sobre a Tunísia em amistoso que traduz o momento de transição da equipe. O país que viveu anos sob a aura da chamada "geração de ouro" agora aparece menos brilhante, mas não menos perigoso — uma seleção que trocou o controle fino de jogo pela verticalidade e pela capacidade de decidir em lampejos individuais.

No centro dessa transformação segue Kevin De Bruyne. Mesmo sem o mesmo vigor físico dos melhores anos, ele permanece o eixo criativo e emocional da equipe: calibra ritmos, encontra passes que inundam o ataque e organiza a transição. Essa dependência é ao mesmo tempo um ponto de força e uma fragilidade clara: quando De Bruyne desacelera, o conjunto costuma perder clareza ofensiva, como se mostraram alguns jogos das eliminatórias.

Thibaut Courtois aparece como outra referência: a experiência do goleiro dá estabilidade num time que alterna fases de controle com momentos caóticos. Ao lado dele, nomes mais jovens — Jérémy Doku entre eles — oferecem a explosão que a Bélgica hoje privilegia. A combinação funciona contra seleções de nível inferior, mas levanta dúvida sobre profundidade e intensidade física em confrontos eliminatórios mais duros.

O saldo político-esportivo é ambíguo: a pressão pública diminuiu com o fim das promessas eternas da geração anterior, o que pode libertar o técnico para arriscar um perfil mais direto; por outro lado, a falta de alternativas criativas consistentes e a dependência de veteranos exigem gestão de elenco e proteção tática. Para 2026, a Bélgica entra como adversário imprevisível — capaz de atropelar em ritmos altos, mas ainda vulnerável se o jogo pedir controle e consistência.